
Publicidade infantil LGPD: o risco do perfilamento

Publicidade infantil LGPD entra no radar da ANPD
Publicidade infantil LGPD é uma pauta que vai além do anúncio claramente dirigido a crianças. Em julho de 2026, ANPD e PNUD anunciaram estudo sobre perfilamento e publicidade direcionada a crianças e adolescentes, com análise de redes sociais, streaming, jogos, edtechs e e-commerce.
O tema alcança empresas que personalizam conteúdo, usam cookies, mídia paga, CRM, influenciadores ou apps próprios. Uma marca pode não se apresentar como infantil e, ainda assim, alcançar menores por ambientes, linguagem, personagens, interesses e mecanismos de recomendação.
A questão central não é apenas quem viu o anúncio. É quais dados foram usados para formar a audiência, prever comportamento e influenciar decisões.
O que significa publicidade infantil LGPD na prática
Quando falamos em publicidade infantil LGPD, entram em cena perfilamento, melhor interesse, necessidade, transparência, fornecedores e proteção por design. Perfilamento é o uso de dados para avaliar ou prever aspectos de uma pessoa, como interesses, hábitos, localização, consumo e probabilidade de interação.
Em marketing digital, isso pode envolver:
- páginas visitadas e tempo de navegação;
- identificadores de cookies e dispositivos;
- eventos enviados por pixels e SDKs;
- localização aproximada ou precisa;
- compras, pesquisas e vídeos assistidos;
- idade declarada ou inferida;
- listas de clientes e audiências semelhantes;
- interações com jogos, aulas e recompensas.
Quando o público inclui crianças e adolescentes, a empresa precisa adotar uma régua mais protetiva. Esse grupo está em desenvolvimento e pode ser mais vulnerável a persuasão, urgência, recompensa e repetição.
Onde o risco aparece na cadeia de anúncios
A cadeia de publicidade digital envolve muitos participantes. Site, app, plataforma de mídia, analytics, rede de anúncios, CRM, agência, influenciador e parceiro de dados podem tratar informações em etapas diferentes.
No site, um banner pode autorizar rastreamento sem escolha clara. No app, SDKs podem transmitir identificadores e eventos. Em jogos, recompensas e compras podem ser combinadas com comportamento. Em edtechs, dados de aprendizagem podem alimentar recomendações. Em e-commerce, retargeting e audiências semelhantes podem atingir menores sem controle suficiente.
Por isso, publicidade infantil LGPD exige inventário de ferramentas e finalidades. A empresa deve saber o que coleta, com quem compartilha e como restringe usos secundários.
ECA Digital amplia a responsabilidade
O ECA Digital se aplica a produtos e serviços direcionados a crianças e adolescentes ou de acesso provável por esse público. A discussão envolve verificação de idade, proteção por design, supervisão, prevenção de danos e limites relacionados a publicidade e perfilamento.
Isso não significa que toda personalização seja automaticamente proibida. Significa que o contexto, a idade, o tipo de dado, a finalidade e os riscos precisam ser avaliados. O melhor interesse deve orientar a decisão.
Para entender o panorama mais amplo, consulte o artigo da TOGETHER sobre adequação de empresas ao ECA Digital. A governança de publicidade infantil LGPD deve fazer parte dessa adequação, e não ser tratada como projeto isolado de marketing.
O que marketing deve revisar antes da campanha
Um checklist prático ajuda a identificar riscos:
- Quais pixels, cookies e SDKs estão ativos?
- Quais dados são enviados às plataformas?
- Há segmentação por idade, interesse, localização ou comportamento?
- Menores podem estar no público real, ainda que não sejam o alvo declarado?
- A linguagem, o influenciador ou o ambiente atraem esse público?
- Quais bases legais sustentam cada tratamento?
- A política de privacidade explica perfilamento e compartilhamento?
- Fornecedores usam dados para fins próprios?
- Há transferência internacional ou suboperadores?
- Campanhas de maior risco passam por aprovação?
Também é importante comparar configuração e resultado. Excluir menores na ferramenta não resolve tudo se a criatividade, o canal ou a audiência usada continuam alcançando esse público.
Cookies e consentimento precisam de coerência
Se a empresa usa consentimento para publicidade comportamental, a escolha precisa ser livre, informada e inequívoca. Recusar deve ser possível sem percurso desproporcional. A ferramenta de consentimento precisa conversar com tags e SDKs: não adianta exibir botão de recusa se rastreadores continuam ativos.
A revisão de publicidade infantil LGPD deve incluir testes técnicos. O que a política promete precisa coincidir com o que o navegador e o aplicativo fazem.
Além disso, consentimento não transforma qualquer coleta em adequada. Necessidade, finalidade e melhor interesse continuam relevantes. Dados excessivos não ficam automaticamente legitimados por uma caixa de seleção.
Fornecedores e contratos não podem ficar fora
Plataformas de anúncios e analytics mudam recursos com frequência. Agências podem instalar novas tags. Desenvolvedores podem incluir SDKs. Influenciadores e afiliados podem coletar leads em páginas próprias.
A empresa precisa de processo para aprovar ferramentas, registrar finalidade, revisar termos e definir responsabilidades. Contratos devem tratar segurança, subcontratação, comunicação de incidente, eliminação e cooperação com direitos dos titulares.
O anúncio oficial da ANPD e do PNUD informa que o estudo avaliará plataformas usadas em larga escala e deverá subsidiar futuros guias e roteiros de fiscalização. Organizar evidências agora reduz retrabalho quando orientações mais detalhadas chegarem.
Governança para publicidade infantil LGPD
O DPO não precisa aprovar manualmente cada anúncio. A melhor abordagem é criar critérios para que marketing e produto reconheçam situações de maior risco.
A empresa pode classificar campanhas por público, dados, tecnologia e finalidade. Novos pixels, listas de clientes, audiências semelhantes, geolocalização, dados escolares e integrações com jogos podem exigir revisão adicional.
Também é útil manter um registro de decisões: objetivo da campanha, dados usados, fornecedores, salvaguardas, prazo e responsável. Esse histórico apoia prestação de contas e facilita correções.
Como medir publicidade infantil LGPD sem ampliar a coleta
Reduzir risco em publicidade infantil LGPD não exige abandonar métricas. A empresa pode trabalhar com dados agregados, limitar janelas de retenção, restringir eventos enviados a plataformas e evitar identificadores persistentes quando não forem necessários. A escolha depende da finalidade e do contexto, mas deve ser consciente.
Também é possível separar medição essencial de personalização comportamental. Saber quantas pessoas visualizaram uma página não exige necessariamente construir perfis individuais detalhados. Essa distinção ajuda marketing a preservar informação útil sem transformar toda interação em histórico permanente.
Relatórios devem limitar acesso e evitar exportações desnecessárias. Listas com idade, localização e comportamento não precisam circular por e-mail ou permanecer em planilhas pessoais. Dashboards com perfis de acesso e dados minimizados podem atender à tomada de decisão com menor exposição.
Por fim, a empresa deve definir quando uma audiência será eliminada. Públicos criados para uma campanha específica não precisam ficar disponíveis indefinidamente. Retenção também faz parte da governança de publicidade infantil LGPD. O prazo adotado deve ser registrado, justificado e revisado periodicamente pela equipe responsável.
Idade declarada não resolve todo o problema
Muitas plataformas usam a data de nascimento informada no cadastro. Esse dado pode ser útil, mas não elimina a necessidade de observar o contexto. Crianças podem acessar contas de familiares, omitir a idade ou chegar por páginas que não exigem autenticação. Ao mesmo tempo, mecanismos de verificação mais invasivos podem criar novos riscos se coletarem documentos ou biometria sem proporcionalidade.
A empresa precisa avaliar o nível de confiança necessário para cada funcionalidade. Um conteúdo informativo, uma compra, uma rede social e uma ferramenta educacional têm riscos diferentes. A solução não deve ser automaticamente a mais intrusiva, mas aquela capaz de reduzir o risco com menor coleta possível.
Também é importante evitar que a inferência de idade vire uma nova fonte de perfilamento comercial. Se sinais comportamentais são usados para proteger menores, o uso secundário desses sinais para segmentação precisa ser limitado e claramente governado.
Agências, influenciadores e afiliados entram na responsabilidade
A execução da campanha pode ser terceirizada, mas a marca continua precisando conhecer a operação. Briefings devem indicar restrições de público, linguagem, coleta de leads, uso de links rastreáveis e ambientes em que a peça será divulgada.
Influenciadores podem direcionar seguidores para formulários, cupons, grupos e páginas de parceiros. Esses caminhos devem ser mapeados. Se uma ação envolve cadastro, concurso, promoção ou entrega de benefício, a empresa precisa revisar os dados solicitados e a informação apresentada a responsáveis e participantes.
Agências também devem informar quais plataformas, pixels e audiências pretendem usar. Alterações de última hora não podem escapar do processo de aprovação. Um controle simples de versão, responsável e data ajuda a reconstruir o que realmente foi veiculado.
Indicadores de publicidade infantil LGPD após a campanha
A análise de publicidade infantil LGPD não termina quando o anúncio sai do ar. Reclamações de responsáveis, pedidos de exclusão, cadastros com idade incompatível, bloqueios, rejeições de consentimento e origem dos leads ajudam a avaliar se as salvaguardas funcionaram.
Marketing e DPO podem revisar esses indicadores em conjunto. Se a campanha alcançou público diferente do previsto, a empresa deve ajustar audiência, criatividade, canal e retenção. O aprendizado precisa alimentar campanhas futuras, não ficar apenas no relatório final.
Essa rotina cria uma ponte entre desempenho e responsabilidade. Em vez de avaliar somente alcance e conversão, a organização acompanha qualidade da audiência, coerência do tratamento e sinais de impacto sobre crianças e adolescentes.
Como a TOGETHER pode apoiar
A TOGETHER revisa práticas de publicidade, perfilamento e cookies com foco em LGPD e ECA Digital. O trabalho pode incluir inventário de tags e SDKs, avaliação de fornecedores, matriz de risco, políticas, contratos e treinamento de marketing, produto e jurídico.
Com DPO as a Service, a empresa recebe suporte contínuo para novas campanhas e ferramentas. A proposta não é impedir comunicação comercial, mas tornar a publicidade infantil LGPD mais previsível, responsável e alinhada ao negócio.
Crescer sem governança pode transformar uma boa campanha em passivo. Crescer com critérios permite usar dados de forma mais segura e preservar confiança de famílias, clientes e parceiros.
Referências
- ANPD/PNUD — Estudos sobre perfilamento e publicidade direcionada.
- Lei nº 13.709/2018 — Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais.
- Lei nº 15.211/2025 — ECA Digital.
- Decreto nº 12.880/2026.
O custo do risco
é maior que
o da prevenção.
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